Domingo, 24 de Julho de 2011
Mágoa #3

O sol cegava os olhos de Mane. Resmunga baixinho o entorpecimento do corpo. Quando dá conta de onde se encontrava e do que tivera feito uma onda de nojo pelo monstro que era abate-se sobre si. Era necessário tornar claro que seria a ultima vez. Apesar de bronco e estúpido bêbado crónico, percebia que a sua sobrevivência dependia daquele corpo, daquela alma. Não amava porém nutria aquele sentimento cultivado por muitos anos de divisão de cama com ela. Ao olhá-la, pela primeira vez naquela manhã, reparava que os atributos que inicialmente o cativaram em gaiata continuavam ali presentes. Mais maduros, é certo. Escondidos pelas saias exageradamente compridas. A anca larga de mulher que já parira diversas vezes. No entanto, os lábios carnudos, a pele docemente clara como se de uma boneca se tratasse, uns seios generosos redondos e empinados que se escondiam nas rendas da camisa. Conforme a respiração, inchava levemente. Um calor húmido desce-lhe até à zona das coxas. Um desejo de possuir toma-lhe conta das acções. Retirou toda a roupa que o cobria o corpo. De gatas caminhou até junto da esposa. Depositou um beijo ao de leve na testa, nas bochechas e, por fim, no seio descoberto pelo súbito estremecimento da fêmea. Os olhos castanhos questionavam aquele tratamento. Há meses que ele não lhe tocava daquela forma. Como um marido. Acho que tenho uma divida a saldar contigo, minha leoazinha. A menção do apelido carinhoso que o marido lhe dava apenas nos momentos mais íntimos fez a acreditar que aquele sofrimento poderia terminar. Fizeram amor de uma forma intensa, quase violenta. Como se o destino do casamento dependesse daquele acto. Ela unira-se a ele sem rodeios. Deixara ele afundar-se nela lentamente gemendo baixinho. Quando o marido ficou saciado, procurou na gaveta um maço. Sob a luz da vela, acendeu o cigarro e, após a primeira expiração, o fumo ocultou o corpo nú tão vulnerável exposto. Via-lhe as marcas da sua barbaridades. Ela notou o seu súbito interesse no seu corpo. Um pudor desconhecido fez com que ela puxasse os lençóis de linho. Contudo, Mane não deixou. Queria vê-la. Observar os maus tratos que lhe dera. O pouco valor que deu àquele corpo exuberante de fêmea ainda com apenas trinta anos. Uma deprimência tomou conta dele. Com uma voz áspera, abandonou-a. Ele não merecia a vida que tinha. Após tudo o que lhe fizera, ela ainda abria as pernas para ele.

 

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recortes:

copodeleite às 23:30
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