Terça-feira, 19 de Julho de 2011
Mágoa #1

Com nome de baptismo Manuel Soares Costa era conhecido entre os seus conterrâneos por apenas Mane. Homem já de barba feita e espessa onde os seus volumosos braços sobressaiam à sua inteligência. Tivera casado com a filha do caseiro devido ao estúpido capricho das hormonas implorando-lhe a satisfação do seu apetite voraz. Com efeito, nem duas semanas após o encontro escaldante, o sogro dá-lhe um excerto de porrada tornando imperativo aquele casamento. Tinha-se tornar a criança legítima aos olhos de Deus. Houve noivado. Houve despedida de solteiro. Houve cerimonia. Houve copo de água. Quando consciencializou do facto, já tinha duas pessoas a seu em cargo para alimentar. Trabalhava de sol a sol no campo. Comi mal à excepção da refeição da noite em que a esposa esmerava-se. Preparava-lhe um refeição suculenta. Por norma dava-lhe o naco de carne maior e mais tenro. Entre garfadas, a mulher não se calava. Conta-lhe as peripécias que o Joãozinho tivera feito enquanto que debaixo da mesa seduzia-o com pezinho descalço. Num certo ponto, fartava-se dos carinhos forçados, a submissão exagerada e dos guinchos do cachopo. Brutamente refugiava-se na taberna do Joaquim. Beberica uma bebida quente de cor vermelho sangue. Aquece-lhe a garganta dando-lhe o adormecimento necessário para ouvir a cantiga do estudante. O louco por amor de camisa branca e batina preta pelo chão declamava poemas sem sentido à amada fria e gélida que lhes espezinhava o coração sôfrego. Ao invés dele, aos 35 anos, nunca experimentara o amor. Podia dizer que tinha um bom casamento. Uma vida sexual satisfatória, se não de onde provinham os seus cinco filhos mais aqueles que tinham morrido pelo caminho. Para ele, o amor era algo muito abstracto onde pessoas analfabetas como ele não tinham direito. No entanto, nas palavras daquele estudante era-lhe apelativo. Desejava sentir aquilo. Revoltado, levantava-se na cadeira mal arranjada, atirava para o balcão uns trocos e cambaleante dirigia-se até à rua. Por vezes, a bebida latia nas veias sanguíneas, a loucura subia ao cérebro, tomava conta das suas acções e o pobre jovem sofria na cara a tristeza que estalava no esqueleto do Mane. Pelo caminho, reflectia o porque de não partilhar um sentimento tão superior mesmo o coloca-se num estado de desespero tal. Preferia à sua vida casta de emoção, de fervor. Culpava, então, a esposa por esta ter engravidado. Culpava-a por o ter obrigado a entrar naquela fachada de casamento. Se não fosse aquela exigência podia ter estudado. Qualquer mulher o olharia duas vezes para ele devido à sua aura culta. Manuel, outra vez?! Suspirava a voz familiar.As entranhas tremeram. O sabor a vinho barato deu-lhe à boca. Encurta a distancia entre os dois corpos para ver que a mulher já tremi de medo. Conseguia o sentir. Sorriu com o conforto que aquela situação lhe dava. Ela ia pagar o que lhe tinha tirado. Não adiantava suplicas e promessas sem fundo. Centrado no palpitar do seu batimento cardíaco, inicia-se uma dança violenta e amargurada apenas culmina no corpo inerte da sujeita afogado no seu próprio sangue. Por fim, desliza-se para a cama. Porra, estava frio. A puta da mulher devia ter colocado uma botija aquecer o seu lado. O sono acaba por silenciar os seus argumentos.

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Texto baseado em histórias mirabolantes que a minha avó me contou. Tem continuação.


recortes:

copodeleite às 13:30
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(55):
De nyssa a 20 de Julho de 2011 às 20:42
sim, basicamente sem isso eles nunca mais se queriam ver à frente. porque são os dois teimosos e casmurros - ou seja, tipicamente rapazes.


De Annie a 20 de Julho de 2011 às 16:45
Bem ... que texto :o amei
Paquinha pra ti no meu blog


De alaska violet a 20 de Julho de 2011 às 13:54
que fixe, só os meus amigos é que não têm bandas xD


De audrey lou riddle a 20 de Julho de 2011 às 11:28
concordo


De alaska violet a 20 de Julho de 2011 às 08:21
e o que se têm passado por aqui?


De a 20 de Julho de 2011 às 00:21
Fazes bem. Beijinhos***


De a 20 de Julho de 2011 às 00:00
Eu disse que concordava contigo. Mas isso é querido, por isso, no problem ;D Tens problemas com o teu sotaque? :(


De a 19 de Julho de 2011 às 23:50
Dizem que sim. Tirando que cá, quando juntas um "os" ou "as", com outra palavra que começa com uma vogal fica "j" Como, "as aulas", nós dizemos: "as 'jaulas". Em Coimbra há três partes do corpo que começam com "j": "os joelhos", "os 'jolhos" e "os 'jouvidos" x'D


De a 19 de Julho de 2011 às 23:43
Porque é giro. Eu tenho uma prima pequenina quee vive no Porto e ela fala assim e e bue fofinho. Nós cá em Coimbra estamos desprovidos de qualquer tipo de sotaque... Somos uns snobes, é o que somos -.-


De a 19 de Julho de 2011 às 23:19
o que é quer dizer "trenga"? Era suposto ficar ofendida? Tu tens sotaque?


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