Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Vício.

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Nunca fui uma rapariga inconsciente. Vivo dentro dos limites que me imponho. Aceitei todos os valores que me incutiram. Não os questiono. Seria uma perda de tempo. Não que desejasse transpor o aceitável. Ser diferente. Testar os meus limites. Mostrar a minha verdadeira faceta. No entanto, que diferença faria? Ter mais uns par de olhos em cima de mim. Perguntarem sobre a minha vida. Tentarem mostrar um hipócrita interesse. Oh não isso não. Prefiro o vosso desprezo. Os vossos olhares de inveja e risos secos. Prefiro continuar a esconder atrás do meu sorriso e ar tranquilo os meus sentimentos. Não deixarei a minha imaculada mascara cair. Continuarei assim. Viverei cada dia com a certeza que tenho de a manter. Talvez esta tentativa seja recompensada. Talvez este esforço atroz de esconder que estou magoada. Que me apetece chegar à tua beira e simplesmente perguntar porquê. Com efeito, as noites são assombrada pelas insónias. As nossas ultimas palavras trocadas teimam em ecoarem nos meus ouvidos. Não posso permitir este meu descontrolo. As lágrimas não podem escorrer pelas minhas maças de rosto. Não posso permitir que hoje seja igual a ontem ou a anteontem. Não posso continuar a culpar-me por algo incontrolável. Enquanto, ganho coragem de cometer uma loucura, iludo-me com uma chávena de leite morno. Observo o horizonte que a minha janela do meu quarto me apresenta. Um azul brilhante ofuscado pelo os raios de sol dourados. Abro a janela. Deixo que o vento cumprimente os meus poros. Volto a entrar dentro do meu quarto. Despejo todo o conteúdo da minha mala. Acabo por encontrar o que desejo. As minhas mãos tremiam. Sabia que estava sozinha. Apesar da promessa, o desejo chamava por mim. Hesito. Olho várias vezes para a porta do quarto. Fecho-a. Volto-a abrir. Por fim, volto a fechar. Ai se a tua mãe sabe! Era o que o meu consciente me gritava. Que se lixem todos. Eu queria ter o prazer de cometer a infracção. De poder sentir outra vez a garganta irritada, o fumo branco sair da minha boca, a pequena dormência tornando tudo simples à minha volta ou do simples toque do papel mal embrulhado sob os meus dedos roxos. Não haveria nenhuma testemunha da minha fraqueza. Seria mais um segredo meu e das quatro paredes do meu quarto. Num gesto ágil, sento-me no parapeito da janela. Acendo-o. Levo-o à boca. Sugo-o como se a minha própria vida depende daquele acto. Finalmente, após estes meses de ausência, da tentativa de privação do vício, os meus pulmões voltam a encontrar o seu antigo companheiro. Um sorriso genuíno figura-se no meu rosto. Até me doíam os músculos do rosto por à muito não o fazer de verdade. Saboreei aquele cigarro, outro e mais outro. Para ser franca, perdi a noção. Só sei que fiquei de tal forma que pela primeira vez perdi o medo de dormir. Passei uma noite sem sonhos mirabolantes nem recordações dolorosas. Foi uma noite como realmente à muito não tinha.



copodeleite às 21:00
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(12):
De nyssa a 12 de Maio de 2011 às 19:18
obrigada =)


De prettyydal a 12 de Maio de 2011 às 19:08
podes bem crer, que são.


De Andrusca ღ a 11 de Maio de 2011 às 21:21
Obrigada querida ^^


De prettyydal a 11 de Maio de 2011 às 21:20
Concordo plenamente. Outra verdade das grandes.
E lá por eu dizer «vou passar a gostar mais de mim», julgam-me de convencida, mas quem o julga, não tem a capacidade de preceber o sentido verdadeiro doque eu quero dizer.


De prettyydal a 11 de Maio de 2011 às 21:13
acabei por tirar as minhas próprias conclusões, depois de tudo o que eu passo. e se eu não gostar de mim, quem o gostará?


De nyssa a 11 de Maio de 2011 às 18:51
bem, se te ajudar um pouco os capítulos em itálico referem-se ao passado e os outros são do presente... esta semana vem o próximo capítulo não te preocupes ;)


De ariel a 11 de Maio de 2011 às 17:26
exacto. o problema não é o rapaz (que eu não gosto mesmo nada, mas isso não é relevante para a minha opinião neste assunto), o problema foi mesmo aquele comentário/afirmação que ele fez... foi totalmente descabido.


De nyssa a 10 de Maio de 2011 às 19:32
já me escondi também por de trás de uma máscara... mas sinceramente cheguei à conclusão que prefiro ser o que sou sem me importar com os outros... quem não gosta, temos pena...


De prettyydal a 9 de Maio de 2011 às 21:32
claro. apesar de tudo, eu continuo a gostar muuuuito deles.


De prettyydal a 9 de Maio de 2011 às 21:28
pois é.
eu lido com os meus amigos diariamente e as vezes até parece que se esqueçem de mim. e normalmente o que eu faço é por os fones nos ouvidos e levar os meus pensamentos para outro lado.


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