Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Cartas para Júlia. (3)

As cartas estão a ser escassas, Júlia, porém gostava de inverter a situação. Poucas justificações poderei dar plausível de compreensão da tua parte desta ridícula ausência. A verdade é que a vontade de escrever é nula. A fonte de inspiração dissipa-se no meu interior. Não há notícias que possam satisfazer uma mente travessa como a tua. Não há loucuras nem actos imaculados de culpas. Enfim, o ócio chegou e pretende ficar. Pouco faço, pouco penso, pouco vivo. Ando numa existência fora do meu eu. Sinto-me sem forças para trazer de volta o sorriso e a boa disposição. Todavia, represento uma figura cheia de todo o nada que tenho, ofereço uma cara sem uma marca de tristeza ou desalento, visto roupa para esconder este vazio, esta falta da alegria que infectava cada célula. Ando apática, enfim. O pior é que não tenho uma razão credível para esta depressão. Talvez até haja mas é tão inverosímil aos meus olhos, então aos teus nem imagino... Fecho-me em casa na espera de uma chamada de quem já me esqueceu. Espero por ouvir uma voz que reitera na minha cabeça o meu nome e a promessa que teima em não cumprir. Não falemos deste assunto. É doloroso simplesmente. Daí, surge o interesse na leitura como escape à realidade. Mergulho no estudo também. Compreender a génese da Mensagem de Fernando Pessoa tornou-se subitamente interessante para uma aluna de Ciências. É ridículo como deixei chegar a este ponto. A falta de apetite já se nota na roupa. Nenhumas calças me servem. Uso saias e leggings para contornar a situação. A minha mãe já notou. Como sempre tem o instinto para acertar no cerne do problema, perguntou pelo dito sujeito. Fiquei pálida e murmurei uma desculpa infestada de mentira. Ela percebeu. Encolheu os ombros e mudou o assunto da conversa. Agradeci silenciosamente pela sensibilidade. No meio desta confusão, já estraguei uns auscultadores e um carteira. Bem, preciso de ir às compras urgentemente tanto pela necessidade como para aumentar a auto-estima, por isso fui...

Até um dia,

Copo



copodeleite às 21:00
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(20):
De Jessie Bell a 10 de Fevereiro de 2012 às 22:28
nice. Agora fala-me do boy


De Jessie Bell a 10 de Fevereiro de 2012 às 16:35
oh really.... E estás triste, porque...?


De Jessie Bell a 10 de Fevereiro de 2012 às 15:10
Nem por isso. Refresca-me a memoria


De s. a 8 de Fevereiro de 2012 às 22:11
nada que agradecer!


De s. a 8 de Fevereiro de 2012 às 21:02
se precisares de falar dispõe já sabes (:


De alexis a 8 de Fevereiro de 2012 às 20:50
obrigada :D


De s. a 8 de Fevereiro de 2012 às 20:47
sim querida, está tudo bem :) e contigo?


De s. a 8 de Fevereiro de 2012 às 20:40
Obrigada!


De Sofia Sequeira a 8 de Fevereiro de 2012 às 20:06
Podes crer! Um beijo.


De Mariella a 8 de Fevereiro de 2012 às 18:47
gostei tanto. perfeito! compreendo-te. favoritos.


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