Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Opinião Literária.

Autor: Stieg Larsson

Obra: Trilogia Millennium

Sinopse:

01 - Os Homens que Odeiam as Mulheres (Män som hatar kvinnor)

02 - A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo (Flickan som lekte med elden)

03 - A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (Luftslottet som sprängdes)

Crítica: Digo-vos que desconhecia por completo a existência deste conjunto de livros até à um par de meses. Foi-me dada a conhecer por um amigo. Desafiou-me para a sua leitura com as palavras: é a melhor saga que alguma vez li. mistura os direitos das mulheres, acção e sexo. é um policial à século XXI. Ora, invadida pela curiosidade mórbida de provar se realmente era verdade, aventurei-me com o primeiro livro da saga. A partir das primeiras páginas, conseguimos imediatamente constatar uma escrita jornalística, pobre em recursos estilísticos, com uma descrição abundante e de fácil captação dos espaços e estados emocionais dos protagonistas da trama. Assim, o narrador dá-nos a conhecer as duas principais personagens da saga - Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. O Blomkvist é um jornalista conceituado nos media pelo seu faro para os escândalos socioeconómicos, porém vê a sua credibilidade ser posta à prova com o seu ultimo artigo. Sem nenhuma prova de ter sido ludibriado pelos seus inimigos, vê-se na iminência de ir para a cadeia por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstöm. Aliado a este episódio, é requisitado por um dos antigos magnatas da sociedade sueca, Henrik Vanger, para uma missão um tanto ao quanto excêntrica - a descoberta do assassino da sua sobrinha-neta sob o pretexto da elaboração de uma biografia da família Varden. Principalmente pelo lucro que aquela missão dará ao bolso magro de Blomkvist, aceita-a, isolando-se do mundo na pequena ilha nórdica. Lisbeth Salander é arrastada para este paradoxal crime por um erro no seu ultimo relatório elaborado para Milton Security sobre o jornalista. É descrita como uma rapariga anti-social, anoréctica e aspecto adolescente com tatuagens e piercings espalhados pelo corpo, mas também uma grande investigadora e um dos melhores hackers do país. Com desenvolver da história, "juntos mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar". Para além disso, durante a leitura, há uma certa ligação mórbida entre o interlocutor e o narrador para a premonição dos factos seguintes, apesar de todos os acontecimentos estarem envoltos numa penumbra de mistério e incerteza. O que nos pretende ainda mais à leitura deste primeiro livro é o comportamento estranho de Salander. Desde o início que não simpatizei com a Salander, tudo culpa da nuvem que o narrador coloca sobre o seu macabro passado só vindo a ser descoberto por completo no terceiro e ultimo livro da trilogia. Associado a este facto, é a improvável amizade que nasce entre Salander e Blomkvist com a descoberta do crime que nos questiona mais. Todavia, estará na base dos dois próximos volumes de Millennium. Salander, após uma longa estadia no estrangeiro, regressa a Estocolmo. Sem explicação plausível, envolve-se no assassínio de três pessoas, duas das quais colegas de profissão de Blomkvist. Contra tudo e contra todos, Mikael acredita na sua inocência e fará tudo para que o mundo reconheça tal. Aqui a história ganha novos contornos, mostra uma faceta diferente, o patamar eleva-se. Entre momentos mórbidos onde se conta com uma descrição exaustiva de crimes sexuais violentos e momentos eróticos experienciados por Blomkvist com as suas aventuras, ganha-se um novo olhar sobre a sociedade. As formas como se aceita de forma negligente a supremacia do homem e como é fácil destruir uma vida humana apenas com os contactos certos, como os serviços sociais são fáceis de serem dissociados de tomarem as melhores decisões tendo em vista a interesse da criança ao invés do interesse politico, como os sistemas judiciais são uma teia de interesses do estado e do juiz em si e como é complicado lutar pela inocência quando a nossa credibilidade está em baixo. Pessoalmente, ganhei uma visão sobre assuntos para os quais nunca tinha reparado existirem nem dos dilemas éticos associados. Assim, termino com a nota de recomendação da leitura destes livros nas versões traduzidas de Português. Nenhum apresenta grandes erros ortográficos suscétiveis de má compreensão da obra - o que é raro na nossa literatura estrangeira traduzida. Por fim, lamento a morte deste escritor. Tinha previsto uma saga de 10 volumes mas um acidente de carro tirou-lhe o privilegio de ver o sucesso dos seus livros um pouco por todo o mundo.


recortes:

copodeleite às 18:45
link | |

(43):
De agnes hope a 1 de Fevereiro de 2012 às 20:01
ele disse a uma amiga minha, que lhe perguntou o que é que ele fazia se alguém o beijasse.


De Mariana a 1 de Fevereiro de 2012 às 19:50
Obrigada:) Já corrigi os erros obrigada. Acho que vou ler estes livros...


De lou a 1 de Fevereiro de 2012 às 19:39
é por isso que dispenso o blogspot.


De lou a 1 de Fevereiro de 2012 às 19:29
e viste os quadrados, viste?! parece que embarcámos novamente numa aula de matemática!


De Raquel a 1 de Fevereiro de 2012 às 19:06
acho que foi na rádio gilão, mas não tenho a certeza


De s. a 1 de Fevereiro de 2012 às 17:11
Claro :)


De s. a 1 de Fevereiro de 2012 às 17:07
Estou em choque!


De s. a 1 de Fevereiro de 2012 às 16:55
Ainda consegue estar melhor?


De s. a 1 de Fevereiro de 2012 às 16:33
Pois. Foi o que fiz com o A&D e fiquei mesmo desiludida.


De s. a 1 de Fevereiro de 2012 às 16:21
Talvez. Mas duvido. Sou muito critica em relação a filmes. E qdo os vejo próximo de ler os livros entao, poucos me satisfazem


Comentar post

Encontras...

Créditos

Formspring

Perfil

Visitas
Free Web Hit Counter