Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
Desconhecido.

Ainda sinto o cheiro de um bolo acabado de cozinhar sobre a mesa vítrea da cozinha branca intocado, o ruído das buzinas dos carros protestando na rua movimentada no miolo da cidade invicta, os olhos lacrimejados do meu companheiro pelo desfecho de uma conversa azeda, o meu rosto contorcido de dor... Seria o fim. Ambos sabíamos, apenas não dizíamos. Não havia aquele ar nostálgico das despedidas. Apenas um leve odor a chocolate e um toque salgado. Guardaria aquele momento no inconsciente para o sempre. O rosto calmo, contemplativo, de olhos irrequietos, negros como breu, sem destino de se calmarem, brilhantes como diamantes na procura de uma nova. O nariz recto e duro, dando um ar de superior destuando do ar descontraido das roupas. As mãos, desproporcionalmente grandes, para o corpo altivo, latino por excelência. Não pareceria a idade que tinha se não fosse o maldito sorriso. Largo e tímido. Poucos teriam o prazer de o contemplar na plenitude. Rasgava as maças de rosto, preenchidas da negra barba, farta, até à ruga dos olhos, só vislumbrada na proximidade de um beijo. Aí, uma criança tomava conta dele, amorosa. E a voz? Rouca. Extraordinariamente grave. Não me cansaria de a ouvir, abafada, de encontro com a pele arrepiada. Porém, de longe, não o que mais me atraia. Era a sua áurea capaz de colocar em jogo o meu conhecimento, questionar-me as pequenas coisas da vida e desafiar a mais verdade das verdades. Dava-me a prosa diária necessária para me fazer rolar os olhos e abafar o riso. Seria o mais doloroso a perder. A prosa, sem dúvida. Os dois dedos de conversa. Ainda me lembro da atrapalhação, pouco costume, surgir na despedida. Seria um beijo o mais indicado? Estava relutante a um contacto se não fosse uma das suas mãos puxar-me, com a característica força arrepiante pondo até o pelo da nuca em pé, de encontro ao seu corpo. Sem grande eufemismo, prega-me um valente beijo de tirar folgo. Quando já cedia à revisão da decisão anteriormente enunciada, afasta-me do seu corpo. Faz um dos seus malditos risos. Malditos, mesmo! Irracionalmente, puxo a camisola dele limitando a distancia e, bem ciente dos meus actos, ou assim o acharia na altura, sussurro um adeus, um até nunca. E viro costas sem olhar para trás. Penso ter ainda ouvido algo seu, no entanto, a memória já é fraca e não me deixa ter clareza dos factos pela distancia temporal dos acontecimentos com a actualidade. Sei que mal sai do apartamento, chorei. Era um choro baixo e constante. Curto. Nem cinco minutos depois, prometi não pensar mais. E não pensei, juro. Até hoje quando vi o seu rosto num desconhecido!



copodeleite às 22:30
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(39):
De тιago a 2 de Dezembro de 2011 às 20:56
a minha diz que educação física tem que ser uma aula diferente, uma disciplina diferente, não só a nível de não ser numa sala de aula com cadernos e tudo mais, mas porque deve ser como uma lufada de ar fresco para os alunos (:


De Jessie Bell a 2 de Dezembro de 2011 às 18:33
Nao sei... Nunca ninguem quer fazer nada. Nunca ninguem quer mudar. Queixam-se por entre piadas secas e nao mudam nada... Somos todos iguais. Sim acredito que haja exceções a regra. Nao, nao acredito que eu seja uma delas


De Jessie Bell a 1 de Dezembro de 2011 às 22:50
Duvido. As pessoas esforçam-se para ser diferentes. Para sairem dos paradoxos, mas a verdade é que somos todos produtos de uma sociedade pérfida, que nos fez o favor de nos produzir em série, embora que com defeitos de fabrico.


De Jé. a 1 de Dezembro de 2011 às 18:29
Gosto muito de falar contigo sabias?


De Sofia Sequeira a 1 de Dezembro de 2011 às 18:05
É como eu. Um beijo.


De Jé. a 1 de Dezembro de 2011 às 18:03
E não é pouco :'(


De Sofia Sequeira a 1 de Dezembro de 2011 às 17:27
Eu também não tenho andado muito activa por aqui, a escola rouba-nos o tempo todo que gostávamos de ter para dedicar à escrita, não é? Um beijo.


De Jessie Bell a 1 de Dezembro de 2011 às 16:52
Nao sei o que e que iso teve haver, mas pronto


De Jé. a 1 de Dezembro de 2011 às 16:22
São atitudes. apenas isso...


De Jé. a 1 de Dezembro de 2011 às 16:16
Então quem mais tem culpa?


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