Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
Eternidade.

Raia nos olhos felizes, a pureza da pele morena, ainda jovem, porém, cansada de um dia longo de aulas. Revolve-se no azul rapado do assento  na procura de uma posição confortável. Embriagada pelos odores corporais nauseabundos segregados pelos ocupantes do autocarro, assim como, pelo chiar dos pneus carecas antes de cada paragem, as pestanas deslizam, o coração despreocupa-se e o tempo perpetuasse na inconsciência. Nem o sol perfurando o braço despido com os seus raios cancerosos a trás à lucidez. Foi necessário o livro de química escorregar para, sobressaltada, acordar. Com a respiração ofegante, no limite do batimento cardíaco imposto pela descarga de adrenalina, localiza-se. Saiu na próxima. Perfect timing! Despenteia novamente o cabelo. Era um hábito seu ganhado pela força do nervosismo da chegada a casa? Talvez. Na verdade, ainda ia decidir o que faria, todavia estudar estaria fora dos planos. Estava enjoada das letras miudinhas do livro, dos quebra-cabeças matemáticos e, sem disposição absoluta, para analisar uma alma deprimida como a do Ortónimo. Confudia-lhe alguém criar tais absurdos problemas sobre a vida. Perguntar-se sobre o sentido da sua existência. Preferia ignorar as respostas do que torturar-se. Esta era a formula do seu optimismo. Viver ao máximo sem se culpabilizar-se das consequencias. Próxima paragem, Rua Castro. Transfere o peso para as pernas bambas, ai inicia-se as reacções anómalas: o coração galga o seu peito generoso mal toca com a sapatinha no passeio empedrado. Coloca os auscultadores nos ouvidos no volume máximo, ai surge uma barreira quase palpável entre o eu e o mundo. Em simultâneo e de forma ágil, cega até, chega à passadeira com o autocarro encostado ainda. Ignorando os avisos que os pais que lhe deram toda a infância, aventura-se! O destino encarrega-se de a ensinar da pior maneira. Pelo menos, foi anestesiada ao som dos Nirvana no que possivelmente foi a sua morte. Nem chega a sentir o carro nos joelhos, nem o vê, nem ouve os avisos dos transeuntes sequer em esperança da remota salvação. No entanto, sente o seu corpo, leve e suave. Seria a sensação de voar? Sem resposta, jaz 10 metros à frente do BMW cinzento de Dezembro passado aconchegada pelo alcatrão onde teria a desejada inconsciência para a eternidade como companheira.

 

Hoje, não responderei a comentários. Estou de luto.



copodeleite às 19:30
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(41):
De mc , a 22 de Outubro de 2011 às 21:06
uii , a tua amiga está melhor ? :x


De mc , a 22 de Outubro de 2011 às 21:06
uii , a tua amiga está melhor :x


De тιago a 21 de Outubro de 2011 às 20:32
era-te próxima? :s


De allison granger a 21 de Outubro de 2011 às 18:03
como está a tua amiga?


De a 21 de Outubro de 2011 às 18:01
A tua amiga está melhor? :x


De s. a 21 de Outubro de 2011 às 15:52
ainda bem :D


De allison granger a 21 de Outubro de 2011 às 14:47
ves?! nao custa nada sorrir nos piores momentos <3


De тιago a 20 de Outubro de 2011 às 21:47
estou totalmente sem saber o que dizer...
meu deus.


De s. a 20 de Outubro de 2011 às 18:41
lamento :/ espero que recupere


De s. a 20 de Outubro de 2011 às 10:14
lamento imenso. ela está bem?


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